Foto do "Cristo Redentor" obtida na metade da década de 1990. O buscador do meu newtoniano foi confeccionado pelo Sr. Vianello provavelmente usando um binóculo 10x50. O retículo é feito de fios de cobre.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Giotto e o 1P/Halley
Vídeo da ESA comemorando os 20 anos do encontro entre a nave Giotto e o cometa Halley. Esta nave ficou a uma distância de cerca de 600km do núcleo em 14-03-1986 UT. Apesar da Giotto possuir um "escudo Whipple", a nave sofreu dois severos impactos de grãos de poeira em hipervelocidade. O primeiro impacto fez com que a nave perdesse sua orientação espacial por mais de meia hora. O outro impacto destruiu sua câmera CCD de modo que a sonda não pode mais obter imagens. Felizmente, isso ocorreu após o encontro. Em 1992, após complicadas manobras orbitais, a Giotto encontrou o cometa Grigg-Skjellerup. Com este objeto, teve uma mínima distância de 200km. Neste encontro, a nave fez medidas do meio ambiente cometário como contagem de grãos de poeira, medidas do campo magnético, dentre outras. Comparando com as imagens de núcleos cometários obtidas atualmente, a qualidade das imagens Giotto deixam um pouco a desejar. Entretanto, foram extremamente úteis do ponto de vista científico. Estas imagens confirmaram o modelo de "bola de neve suja" para o núcleo cometário de F. Whipple. Outra descoberta foi a que os núcleos dos cometas não são inteiramente ativos. No caso do 1P/Halley apenas 10% da superficie do objeto emite gás e poeira. Estas imagens borradas do núcleo do Halley me impressionaram bastante quando foram apresentadas no JN. Lembro que havia uma antena de satélite instalada no ON do Rio de Janeiro naquela época. Pelo que soube a antena era destinada a receber sinais do centro de controle da Giotto para que as imagens fossem exibidas para os astrônomos e público.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Astrofotografias com meu newtoniano - (1)
Algumas astrofotografias da Lua que obtive com meu telescópio na segunda metade da década de 1990. Todas as imagens foram obtidas com filme ASA 100. O procedimento foi o mesmo para todas as fotos. Para tal, retirei a lente da minha câmera Zenit 12XS. O foco foi obtido aproximando e/ou afastando o corpo da câmera da ocular/focalizador. O tempo de exposição utilizado foi de 1/30s para minimizar trepidações.
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| Fotografia de projeção com 360X de aumento. Quase no centro, as cordilheiras dos Montes Apenninus (em cima) e Montes Caucasus (em baixo) |
sábado, 28 de janeiro de 2012
Terry Lovejoy, um caçador de cometas de nosso tempo
Terry Lovejoy é um engenheiro de TI australiano. Assim como eu, o interesse de Lovejoy pela Astronomia começou cedo. Como astrônomo amador se dedicou a busca de cometas. Foi pioneiro na descoberta de cometas rasantes solares usando imagens obtidas pelo satélite SOHO. Com o uso de telescópios de grande campo, equipados com câmeras CCD, detectou os cometas C/2007 E2 e C/2011 W3. Tive a oportunidade de observar os dois cometas. Para o C/2007 E2, numa noite de observação, obtive um curva de luz diferencial (1) com uma amplitude significativa se comparada com o desvio das magnitudes diferenciais. Como o objeto não apresentou outbursts, acredito na hipótese que a variação detectada esta ligada a quantidades de zonas ativas do núcleo voltadas para a Terra. Neste caso, a variação da magnitude observada é associada a rotação do núcleo. F. Manzini obteve uma curva de luz alternativa deste objeto. Nossas estimativas do período de rotação são mais ou menos compatíveis. Segue um link para uma entrevista completa com T. Lovejoy.
| (1) Curva de Luz de C/2007 E2. O período de rotação estimado não tem significância estatística. O período observacional foi muito pequeno. |
Vídeo informativo de alta qualidade estética do site de divulgação de
física solar "The Sun Today" sobre o C/2011 W3
física solar "The Sun Today" sobre o C/2011 W3
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Meu primeiro telescópio
Meu primeiro telescópio foi um refletor newtoniano de 0,3m f/6. Eu o adquiri em 1987 do ATM Aguirre. Parte do dinheiro para a compra foi obtida da venda de um telescópio newtoniano de 0,18m f/8. Eu havia montado este último instrumento no curso de construção de telescópios do Museu de Astronomia do Rio de Janeiro. Em sua configuração inicial, o meu 0,3m possuía uma rígida montagem equatorial germana. A massa do instrumento devia ser maior que 150kg. Em 1995, o telescópio foi reconstruído pelo ATM Leonel Vianello (R.I.P) de Araraquara (SP). Apenas o espelho primário foi aproveitado. Apesar do espelho ter apenas uma polegada de espessura, a figura da parábola se mantinha constante mesmo com variações da disposição espacial do mesmo. Algo que surpreendeu o sr. Leonel. Nesta nova configuração, o telescópio possui uma montagem altazimutal dobsoniana. Utilizei este telescópio para observar os cometas Hyakutake e Hale-Bopp no Rio de Janeiro. Em Salvador, este telescópio foi usado para diversas observações públicas. Destas observações a mais relevante foi realizada em agosto de 2003. Neste ano, ocorreu uma excepcional aproximação de Marte da Terra. Mais de 1000 pessoas observaram Marte através deste telescópio no Shopping Aeroclube. Este instrumento atualmente esta desmontado e adequadamente estocado em minha casa. Abaixo algumas fotos da segunda metade da década de 1990 do meu telescópio:
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Como uma homenagem a memória de Leonel Vianello, no ano em que se completam dez anos de seu falecimento, reproduzo o Boletim Supernovas que reporta a passagem deste excepcional profissional:
SUPERNOVAS - BOLETIM BRASILEIRO DE ASTRONOMIA -
SUPERNOVAS - BOLETIM BRASILEIRO DE ASTRONOMIA -
http://www.supernovas.cjb.net
26 de Setembro de 2002 - Edicao No. 170
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ATRAVES DA OCULAR
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MORRE UM DOS MAIS CONHECIDOS CONSTRUTORES DE TELESCÓPIOS NO BRASIL
Faleceu na sexta-feira, 20 de setembro, aos 74 anos de idade Leonel Vianello (1927-2002); de morte natural. Nascido no dia 10 de outubro de 1927, Vianello era construtor de telescópios astronomicos,
fotografo profissional e morava no interior de Sao Paulo, em Araraquara/SP. Leonel dedicou boa parte de sua vida a essa rara arte de construir artesanalmente instrumentos ópticos de grande precisao,
como também montagens, oculares, aranhas, focalizadores e pequenas lunetas. Alem de um grande construtor, Leonel era "de um comportamento exemplar e correto sobre as coisas e preocupado com a
qualidade de seus produtos", afirmou Weber Amadeus, amigo, aprendiz e também construtor de telescópios na cidade de Araraquara/SP. Leonel fabricou mais de 500 telescópios de tamanhos variados que hoje estão espalhados por praticamente todo território nacional. "O Leonel deixou a marca dele no Brasil", afirmou Roberto Silvestre, que possui um observatório em sua propria casa na cidade de Uberlândia/MG, onde esta' instalado um telescópio newtoniano construido por Vianello. "Foi uma grande perda", concluiu o amigo. Leonel mantinha seu site na internet mas foi desativado (http://www.leonelvianello.com.br ). O Boletim Supernovas prestou sua homenagem a esse grande construtor brasileiro, cujo os telescopios abriram e ainda abrem as janelas do Universo para incontaveis observadores todo dia. Ver em: http://www.geocities.com/cadu-mg/homenagembsn.htm
(Agradecimentos especiais `a familia e amigos)
Carlos Eduardo - Editor Boletim Supernovas
UMA GRANDE PERDA
"O Brasil perde um dos maiores colaboradores da Astronomia amadora do pais."
Weber Amadeus, construtor de telescópios e grande amigo de Leonel
Vianello, Araraquara-SP
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Longa exposição do céu austral
Foto de longa exposição ( >1h) da região polar celeste sul. A imagem foi obtida com uma câmera Zenit 12XS, filme 100 ASA, em 1996, no Observatório do Pico-dos-Dias. A mancha escura na foto (seta) é associada a Nebulosa do Saco de Carvão na constelação do Cruzeiro do Sul. Um fraco traço curto retilíneo, numa direção quase ortogonal aos traços das estrelas, é visível sobre a nebulosa. Acredito que o mesmo seja causado por algum meteoro esporádico.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Um satélite para o asteróide (911) Agamnenon?
O asteróide 911 faz parte do grupo dos troianos de Júpiter. Uma ocultação estelar, ocorrida em 19-01-2012 UT, apresentou duas diminuições de brilho. Isso pode sugerir a existência de um corpo invisível ao redor deste objeto. Imagino três possibilidades para explicar o ocorrido: a) A existência de um satélite do asteróide; b) Formato irregular do asteróide e c) Variação de intensidade devido a modificações do seeing. A hipótese a) é pouco provável mas não impossível. O satélite deveria estar sobre a mesma linha do vetor velocidade de 911 no momento de sua ocultação. Uma configuração rara. O satélite poderia ser detectado através de observações AO com telescópios de grande porte. Para tal, a separação angular entre o asteróide e seu hipotético satélite deve ser no mínimo equivalente ao limite de difração do instrumento. Como a segunda diminuição de brilho ocorreu mais de 10s depois, o satélite pode ser passível de detecção. A distância do satélite ao centro do primário pode ser da ordem de algumas centenas de quilômetros. b) O asteróide (216) Kleopatra pode apresentar duas quedas de brilho, durante uma ocultação, dependendo do ângulo de visada devido a seu formato de "osso" (binário de contato). Entretanto, a ocultação do primário já havia terminado. Pelo tempo transcorrido até a segunda ocultação, o objeto deveria ser extremamente alongado e com um eixo maior algumas vezes maior que o diâmetro estimado para 911. Este diâmetro estimado pode ser obtido com a magnitude absoluta H e o albedo pv do asteróide. Quando H e pv são bem determinados, o diametro estimado tem discrepância mediana da ordem de 20% em relaçao a outros métodos. Muito pouco provável. c) Segundo e-mails da lista da IOTA, o SNR destas observações é baixo (seis, 6). Uma massa de ar em rápido movimento pode ter passado ao longo da linha de visada do observador. Muito provável. Abaixo esta o vídeo da ocultação do asteróide 911:
domingo, 22 de janeiro de 2012
103P/Hartley 2
Trajetória e sobrevôo da nave "Deep Impact" sobre o núcleo do cometa 103P/Hartley 2 em 04-11-2010. Compare esta imagens com as equivalentes obtidas por reflexão de sinais de radar emitidos da Terra. A rentabilidade da técnica de construção de imagens com sinais radar é inegável. Note que o núcleo do cometa não é inteiramente ativo como nosso senso comum poderia sugerir.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Domo do Telescópio de 1,6m do OPD
O Observatório do Pico-dos-Dias (OPD) foi inaugurado em 1980. Seu primeiro instrumento foi o telescópio Perkin-Elmer de 1,6m. O telescópio esta no interior de uma cúpula que hoje em dia poderia comportar um telescópio de maior abertura (>2m) em montagem altazimutal. O prédio do 1,6m possui três andares. No térreo existe uma câmera de alto vácuo para aluminização dos espelhos dos telescópios do observatório. A inauguração do OPD marcou o início da moderna astrofísica observacional brasileira. Abaixo apresento algumas fotografias que obtive entre 1995 e 1999 da cúpula do telescópio de 1,6m:
(1) Rotação da cúpula do telescópio de 1,6m.
(2) Cúpula do 1,6m em todo o seu esplendor.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Brasil não cumpre o combinado com o ESO
Em 2010, no apagar das luzes do segundo governo Lula, o Brasil firmou um acordo com o ESO. O Brasil passou a ser o décimo quinto associado deste grupo de países que mantém uma série de observatórios astronômicos no Chile. Nosso pais é o primeiro membro não europeu. A cota brasileira é de cerca de duzentos e cinqüenta milhões de euros a ser paga em 10 anos. A primeira parcela deveria ter sido paga no começo deste ano. Isso não ocorreu. O que o Brasil perde com esta falha? Credibilidade internacional. Em tempos recentes, é a segunda vez que o pais entra em um consórcio internacional em ciência & tecnologia e não cumpre sua parte. A primeira vez ocorreu nos anos da década de 1990. O governo FHC assinou um acordo com o grupo responsável pela construção da ISS. O Brasil deveria contribuir com cem milhões de dólares e fornecer componentes para a estação. Foram disponibilizados 10% do combinado e as peças nunca foram entregues. O Brasil foi excluído do projeto. O que o pais perde com nossa não adesão ao ESO? 1)Possibilidade de ter acesso a telescópios de grande porte e periféricos de última geração. Esta característica é fundamental para obtenção de dados de qualidade. Estes dados são fundamentais para se chegar a modelos que descrevam a física de um ou um grupo de objetos estudados. 2) Possibilidade de capacitar nosso parque industrial em mecânica e eletrônica de alta precisão: O Brasil não só usaria os instrumentos do ESO. Nosso pais contribuirá com a construção de periféricos e das estruturas mecânicas dos telescópios. Isso já ocorre nos projetos dos observatórios Gemini e SOAR. Nosso pais forneceu espectrógrafos para o telescópio SOAR e a sua cúpula. 3) Participação de nossas empresas nas licitações do ESO. Empresas dos países-membros participam de licitações de todo o tipo de serviço ou produto que o ESO utiliza. Isso pode implicar em transferência de divisas para nosso pais. Por que o MCT não cumpriu com sua parte? A versão oficial esta associada ao contingenciamento de recursos em 2011 devido a crise internacional. Isso é um fato, o MCT perdeu cerca de 20% de seus recursos no ano passado. Somado a isso, temos uma provável "questão política". Por questões éticas, não vou repetir aqui o que li sobre esta questão. Creio, entretanto, que o leitor tem o direito de saber. Para tanto, disponibilizo um link para um comentário postado no "blog do Nassif" sobre o problema. O comentário só reforça uma característica dos astrônomos brasileiros que eu já conhecia. Nossa comunidade astronômica é muito desunida. Uma verdadeira "fogueira de vaidades". Espero sinceramente que o Brasil entre para esta organização. A Astronomia brasileira não pode ficar estagnada. Estavamos estagnados antes da entrada do pais nos projetos Gemini e SOAR na década de 1990. Não podemos correr este risco novamente. É um caminho sem volta. Abaixo um vídeo institucional do ESO. Conheça o que corremos o risco de perder.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Observatório de Búzios - Parte 2
Alguns astrofotografias obtidas com o telescópio do Observatório de Búzios. Todas estas imagens foram obtidas com a mesma configuração: câmera Olympus, filme Kodak Gold 100, tempo de exposição 1/1000s (curtíssimas!), em julho de 1989. (1) e (2) grupo de manchas solares e (3) Lua - Mares do Néctar e da Tranqüilidade - imagem obtida na semana em que se comemoravam 20 anos do pouso da Apollo XI na Lua. Obtive uma imagem da cratera Tycho. Publiquei esta foto no artigo "Experimentos Didáticos em Astronomia I: Determinação das Dimensões de Crateras Lunares" de 2005.
(1)
(2)
(3) - Mare Nectaris (centro direita) e Tranquillitatis
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Sonda Phobos-Grunt pode ter caido no Brasil
Agência espacial russa Roscosmos, divulgou que a sonda Phobos-Grunt pode não ter caido no oceano Pacífico como anteriormente divulgado. A nave pode ter atingido na região central do Brasil. Outra possibilidade é que a sonda tenha se fragmentado e caído nos oceanos Atlântico, Pacífico e na região central do Brasil. O sistema de controle aeroespacial brasileiro não confirma a detecção de objeto(s) entrando no espaço aéreo brasileiro no instante previsto para a reentrada da sonda . Desta notícia, acho interessante dois aspectos: a) A agência espacial russa não sabe onde a nave reentrou. Isso poderia sugerir falta de expertise dos russos nesta matéria. Não creio isso que isso seja correto. Para determinar a órbita de um satélite é necessário que o mesmo seja acompanhado opticamente ou por radar. O problema é que os russos não possuem uma rede de acompanhamento de satélites em escala global. Os EUA possuem uma rede de rastreio de satélites desta natureza. Entretanto, não houve a melhoras significativas da previsão do instante e local provável do impacto quando dados do SPACETRACK são acrescentados. Eventualmente, os parâmetros orbitais não são obtidos em tempo real. b) Os radares da Força Aérea Brasileira podem não ter sido capazes de detectar um alvo em grande velocidade e altitude. Isso sugere algo preocupante, uma vez que nossa capital se encontra justamente na região onde fragmentos da sonda podem ter caído. Esta incapacidade pode ter origem instrumental ou ser causada pela não familiarização dos operadores com objetos dessa natureza. Acredito que a segunda hipótese é mais razoável. Em 1944, o sistema de radar inglês detectou diversos sinais que foram interpretados como mísseis V2 lançados para Londres. Os mísseis não vieram. Estes falsos alarmes foi interpretados, posteriormente, como meteoros esporádicos.
Como resolver a dúvida relativa sobre a queda da Phobos-Grunt no Brasil? Provavelmente o meteoro associado a sonda deve ter sido mais brilhante que a Lua cheia em algum instante da reentrada. Conforme a nave penetrou nas camada mais densas da atmosfera, a sonda se fragmentou em pedaços menores. Tais fragmentos produziriam meteoros em linha com magnitudes tão brilhantes quanto Vênus ou Júpiter. Em qualquer uma destas situações, a reentrada da sonda seria facilmente visível da superfície. Portanto, se você leitor viu algo desta natureza a partir de ~20-21h (hora de Brasília) do dia 15-01, reporte. O vídeo da TV russa RT sobre esta questão é apresentado abaixo:
Como resolver a dúvida relativa sobre a queda da Phobos-Grunt no Brasil? Provavelmente o meteoro associado a sonda deve ter sido mais brilhante que a Lua cheia em algum instante da reentrada. Conforme a nave penetrou nas camada mais densas da atmosfera, a sonda se fragmentou em pedaços menores. Tais fragmentos produziriam meteoros em linha com magnitudes tão brilhantes quanto Vênus ou Júpiter. Em qualquer uma destas situações, a reentrada da sonda seria facilmente visível da superfície. Portanto, se você leitor viu algo desta natureza a partir de ~20-21h (hora de Brasília) do dia 15-01, reporte. O vídeo da TV russa RT sobre esta questão é apresentado abaixo:
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Observatório de Búzios - Parte 1
O "Observatório de Búzios" é um observatório privado que existe na cidade de Búzios na região dos lagos do Estado do Rio de Janeiro. Foi construído no período entre 1987-1988 por um empresário da área de telecomunicações. Seu equipamento principal é um telescópio Celestron Compustar 14". O instrumento esta abrigado em uma cúpula de 3,2m de diâmetro da Ash Domes. Eu tive acesso ao observatório através de uma situação inusitada. Em 1989, eu tinha 16 anos. Eu construía e vendia montagens equatoriais germanas para pequenos telescópios amadores. Para tal, divulgava meu trabalho em classificados de jornal. Um dia assisti a um documentário na TVE que mostrava a cidade de Búzios, suas belezas naturais e um observatório astronômico (!?!). Fique entusiasmado em saber que havia um observatório amador tão bem equipado em meu estado. Para minha surpresa, após a exibição do documentário, um senhor ligou para minha casa a procura de oculares para seu pequeno telescópio refrator. Ao longo da conversa, discuti sobre o que acabara de ver na TV. O senhor me disse que conhecia o dono do observatório e que podia me dar seu telefone. No mesmo dia, entrei em contato com o dono do observatório. Viajei para Búzios no fim de semana seguinte para conhecer o observatório. Fiz algumas memoráveis observações em Búzios entre junho e novembro de 1989. Entre estas, posso destacar a observação visual de uma brilhante galáxia "edge-on" do super-aglomerado da Hidra-Centauro que me fez ter a real percepção de minha pequenez cósmica. Na Lua, observei uma intensa e surpreendente sequência de Fenômenos Transientes Lunares. Pude também me deleitar com o azul-esverdeado de Urano. Achava que aquele tom só podia ser observado in loco.
Este estágio informal no Observatório de Búzios foi fundamental para minha decisão de ingressar na graduação em Astronomia quatro anos depois. Anos mais tarde, o empresário vendeu a casa e o observatório junto (!?!) a um casal de europeus que montaram um restaurante e uma pequena pousada no local. A propriedade estava a venda quando escrevi a postagem. Se eu tivesse a importância solicitada compraria.
Este estágio informal no Observatório de Búzios foi fundamental para minha decisão de ingressar na graduação em Astronomia quatro anos depois. Anos mais tarde, o empresário vendeu a casa e o observatório junto (!?!) a um casal de europeus que montaram um restaurante e uma pequena pousada no local. A propriedade estava a venda quando escrevi a postagem. Se eu tivesse a importância solicitada compraria.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
O ATM de Vila Valqueire (Rio de Janeiro)
Telescópio de 17" f/13,5 Cassegrain-Coudé construído pelo ATM Aguirre no começo da década de 1990. Inicialmente, o telescópio foi concebido como sendo um Newtoniano-Cassegrain-Coudé. Na configuração newtoniana, o telescópio possuía f/4,5. Dada a difração e a grande obstrução causada pelos espelhos secundário e terceário, o foco newtoniano foi abolido alguns meses após a montagem inicial. O instrumento possuia montagem equatorial germana com acompanhamento gerado por um motor elétrico de um eletrodoméstico (modificado). O tubo foi feito com cilindros de máquinas de lavar. Os buscadores usavam lentes de antigas máquinas fotocopiadoras ou binóculos. As oculares eram de microscópios. Um instrumento excepcional. Lembro-me de ter visto algumas dezenas de estrelas no aglomerado NGC-4755, mesmo com um céu que não era dos melhores. Pelo que soube o sr. Aguirre vendeu o telescópio para um fazendeiro do interior do Brasil (Mato Grosso?) poucos anos depois. Na foto, o construtor esta efetuando uma observação através do foco Coudé no roll-off roof no terceiro andar de sua casa na Vila Valqueire, subúrbio do Rio de Janeiro.
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| Aguirre observando no foco Coudé. |
sábado, 14 de janeiro de 2012
Repensando um mundo alienígena
O planeta A que órbita a estrela dupla 55 da constelação do Câncer é um mundo ímpar. Dados gerados pela técnica de velocidade radial revelaram que o período orbital do planeta é de apenas 18 dias. A distância que o separa de sua estrela equivalente a cerca de 4% da distância que separa Mercúrio do Sol. O planeta foi considerado com uma super-Terra por possuir uma massa inferior a dez massas terrestres. Pelos dados anteriores, se estimou que a temperatura superficial de 55 Cancri A poderia ser de 1760 graus Celsius. Sob estas condições, a superfície do planeta seria constituída de rochas pastosas. Observações de um trânsito planetário, efetuadas pelo telescópio espacial Spitzer, forneceram estimativas mais exatas das dimensões e composição química deste objeto. As novas estimativas sugerem que o plantea tem 7,8x a massa e duas vezes o diâmetro da Terra. Com estes últimos parâmetros, as possíveis condições ambientais podem implicar que substâncias, como água e o gás carbônico, possam estar no estado de supercrítico na superfície do planeta. Em um material no estado supercrítico não há diferenças entre o estado líquido e gasoso. Tal substância pode se difundir em um sólido como um gás e disolver a matéria como um líquido. O "press release" da NASA sobre esta importante descoberta é apresentada abaixo:
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Fun Photo
No último ano de meu bacharelado em astronomia, fui indicado pelo ON para participar da reunião anual da SBPC. A reunião ocorreu em Natal (RN) em julho de 1998. Em um dia de folga, resolvi fazer um passeio de buggy pelos municípios circunvizinhos. Quando fomos atravessar um braço de mar (ou rio), utilizamos uma balsa com o inusitado nome de "extraterrestre". Não resisti e fotografei.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Laboratório Nacional de Astrofísica - LNA
(1) Vídeo institucional do LNA. Este excelente material mostra as diversas facetas do LNA, que vão além do gerenciamento do Observatório do Pico-dos-Dias. (2) Reportagem mostrado os prejuízos para a sede do LNA pela construção de um loteamento em Itajubá. O paradoxal é que o loteamento é financiado pela união que também mantem o LNA.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
C/2004 Q2 (Machholz)
Astrofotografia de 10s de exposição do cometa C/2004 Q2 obtida em Salvador. A imagem foi obtida em 02:02 de 03-01-2005 TU, utilizando uma câmera Zenit 12XS e filme FUJI ASA 100. Esta imagem foi utilizada no artigo de divulgação científica "Experimentos Didáticos em Astronomia II: Estudo Fotográfico das Posições Aparentes de Corpos de Sistema Solar ".
domingo, 8 de janeiro de 2012
Meteoritos de Vesta
Os meteoritos HED são feitos de minerais que espectroscopicamente podem ser associados a superfície do asteróide Vesta. Imagens da sonda Dawn possibilitaram a identificação de uma montanha de 22km de altura em uma cratera no polo sul do objeto. Como tal cratera é a maior presente no objeto, pode-se especular que os meteoritos que caem na Terra são oriundos deste ponto na superfície do asteróide. A confirmação desta identidade será possível quando o levantamento mineralógico da superfície de Vesta estiver completo. Evidentemente, os meteoritos oriundos deste asteróide não foram lançados direto para a Terra após o impacto. A ação de ressonâncias planetárias podem ser as responsáveis pela modificação da órbita dos meteoróides, levando-os para a proximidade de nosso planeta. Abaixo um vídeo do SPMN associando o meteorito "Puerto Lapice" com o asteróide Vesta. A imagem de Vesta do vídeo é baseada em imagens do HST que possibilitaram a determinação do albedo por região do objeto. Com este último dado, a distribuição de altitudes na superfície do asteróide foi estimada.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Algumas Imagens de 1995
No ano de 1995, fiz duas missões de observação ao LNA. Nestas observações, utilizei o telescópio Boller-Chivens 0,6m f/13,5 da USP. No final de uma destas noites de observação, obtive imagens CCD de 300s de exposição, através de um filtro quasi-Johnson-Cousins R, do aglomerado globular Palomar 15 (1) e da galáxia espiral barrada NGC-1672 (2). Na época, não tinha grande conhecimento no uso do SAOimage de modo que imprimi as imagens e depois as fotografei com minha Zenit 12XS.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
C/2011 W3 (Lovejoy) - (4) - Minhas últimas imagens
Astrofotografias do cometa Lovejoy obtidas entre 06:38 e 06:51 (03:38 e 03:51, Hora de Brasília) de 26-12-2012 UT. A imagem (1) é a soma de 14 fotografias com 20s de exposição. A câmera Nikon D80 estava regulada em 18mm f/5.6. A imagem (2) é a soma de 15 fotos com 15s de exposição; 55mm f/5.0.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
C/2011 W3 (Lovejoy) - (3)
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